Verdão livre das amarras: 2 a 1

Raphael Veiga marcou o primeiro do Palmeiras (Foto: Divulgação/Cesar Greco)

Esse Derby pintava como um ponto de inflexão, tanto para Palmeiras quanto para Corinthians.

Para o Corinthians, uma vitória com exibição exemplar comprovaria que já está pronto para sonhar mais alto no resto da temporada. Para o Palmeiras, a grande oportunidade de Abel Ferreira soltar as amarras definitivamente desse time diante de um grandão, como tem feito nas últimas partidas.

Nesse enfoque, quem levou todas as vantagens foi o Verdão. Não apenas no placar favorável – os 2 a 1 finais -, mas na maneira ousada e coordenada com que submeteu o rival a um verdadeiro massacre técnico-tático ao longo de todo o primeiro tempo.

O Timão, gente, não conseguia passar do meio de campo, enquanto o adversário cercava sua área a partir do meio de campo, onde reinava soberbo o volante Danilo sobre Renato Augusto, a origem ciente de todas as jogadas alvinegras.

E aqui vale uma ressalva sobre a visão de Vítor Pereira na formação do seu meio de campo, o setor nobre dessa equipe: a presença de Giuliano no banco e de Du Queiroz em campo sobrecarrega a função de Renato Augusto, que, anulado por Danilo como foi, drena de vez o último pingo de criatividade da equipe.

Sorte do Timão era a de que carecia ao Palmeiras aquela centelha do artilheiro, o carinha que coloca a bichinha nas redes, como ponto final das excelentes tramas de seu sistema de armação e ataque.

Eis por que o gol solitário dessa etapa resultou de pênalti cobrado com maestria por Veiga, pela vigésima vez.

Na etapa final, até  que o Timão conseguiu equilibrar um tantinho a partida, mas só chegou ao empate em jogada individual de Roger Guedes, que sofreu pênalti, por ele mesmo convertido.

Ainda assim, o Verdão era mais incisivo e coube a Danilo, dez minutos depois, selar o placar pegando rebote de Cássio, em cobrança de corner.

Assim, o Verdão não só venceu o clássico mais renhido do futebol paulista, assumindo de vez a liderança geral do campeonato, como acena  para dias mais gloriosos ainda, acrescentando qualidade ao espetáculo além das simples vitórias de antes.

Quanto ao Corinthians, é seguir buscando maior entrosamento, o que lhe será mais fácil se Giuliano estiver naquele meio de campo, ao lado de Renato Augusto.

5 comentários

  1. Concordo, mas hoje o Abel mostrou que é um bom técnico e que estuda cada jogo, cada adversário a cada jogo.
    Danilo brilhante e merece ser lembrado por Tite.
    Mas que o Palmeiras falta um matador, um centroavante.
    Que saudades de Evair, Ostras.
    Parabéns pela matéria.

  2. Prezado Alberto Helena, parabéns por continuar atirando na mosca. Com teus comentários objetivos, você obriga os leitores à ociosidade, pois em time que está ganhando não se deve meter a colher. Mesmo assim, destôo e observo algo novo nesta partida: O duelo de dois representantes da Escola Européia na biga dos treinadores. Dois centuriões do velho continente com novas idéias. No caso do Abel Ferreira nem são novas idéias, mas temos que convir que ele tenha mesclado a retranca do tempo de Adão e Eva com um muro movediço, com contra-ataques que tornam o jogo menos sonolento, além de que as cobranças de pênalti do Raphael Veiga já se tornam macabras, o camarada não consegue errar nada, o goleiro já se benze antes do fuzilamento pedindo perdão a Deus. Ao lado desses detalhes mortíferos do Palmeiras, o elenco tem peças de reposição de qualidade original. Isto também atrai o público ao estádio, pois se sabe que ao invés de 11 jogadores, se vão ver 15. O “culpado” é mesmo o Abel Ferreira, como alguns comentaristas mais espertos continuam a querer dizer.
    No lado do Corinthians também temos que reconhecer muito progresso. O time já estava se solidificando antes mesmo do Vítor Pereira chegar. Os dois compatriotas ofereceram um duelo à altura das expectativas. É um dos poucos jogos ganhos do Palmeiras, em que não se tem muito espaço para fazer gracinhas (meme, como se diz modernamente). Com isto ganha o futebol paulista mais uma vez, mostrando a hegemonia de nossos grandes.
    Abraços, MEMIL

  3. Olha Murad, não é que não concorde contigo, poderia até ter dado certo uma mudança com o Giuliano. Entretanto, como o Victor Pereira mesmo diz, mágicos não existem no futebol. O Abel está esmerilhando sua tropa há dois anos, o Pereira chegou há três semanas. O Giuliano pode fazer uma diferença, mas as reposições do Abel Ferreira podem fazer várias diferenças. Quando você está na frente de um cacho de abelhas não adianta ficar tocando muito com a vara, pois ao invés de duas picadas você pode receber várias. Acho que o Víctor Pereira está certo, ele precisa apenas de tempo para transformar o Corinthians num Palmeiras. Ele é um técnico inteligente, sensato, se a cartolagem e os torcedores com miopia cerebral lhe derem tempo ele vai alcançar muitos resultados com este time. Os jogadores estão aí, o treinador também, só falta paciência.

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