
Na década de 1980, nas entranhas de muitos embates, debates, reflexões e elaboração de diferentes proposições teóricas, as ciências humanas passam a influenciar de forma decisiva a produção de conhecimento da área e surge um grupo de professores que criticam fortemente a prática pedagógica que acontecia nas aulas de Educação Física naquele momento histórico.
Com o passar dos anos, se consolidou que o objetivo da Educação Física Escolar passou a ser “possibilitar que os estudantes da Educação Básica possam vivenciar, refletir, debater, analisar, criticar e transformar as manifestações da cultura corporal de movimento”.
Atualmente, entendemos que o docente de Educação Física necessita de um amplo repertório de conhecimentos para tematizar as práticas corporais com os alunos, possibilitando que eles pensem nos aspectos econômicos, sociais, históricos, políticos e biológicos sobre as danças, as ginásticas, os jogos e brincadeiras, as lutas e os esportes.
No entanto, sabemos que não é fácil fomentar uma prática pedagógica em que o professor de Educação Física consiga abarcar essa enorme gama de conhecimentos durante suas aulas. Dessa forma, descreveremos o que estamos tentando fazer para estimular uma formação escolar com maior nível de criticidade dos estudantes.
Passamos a propor que os alunos leiam reportagens de jornal que reflitam sobre temas que envolvem as práticas corporais. Após a realização da pesquisa, os estudantes emitem a sua opinião e realizam um debate na sala de aula. Nos últimos anos temos vivenciado reflexões envolvendo questões sobre machismo, racismo e homofobia nos esportes, violência e corrupção em diferentes práticas corporais, utilização de anabolizantes no esporte de alto nível, análise dos prejuízos que os megaeventos esportivos trouxeram ao Brasil, a situação precária que os jovens atletas vivem no nosso país, dentre outros temas;
Apreciamos filmes que versam sobre temas relacionados com as manifestações da cultura corporal, tais como: A Corrida do Doping; Estrada para a Glória; Murderball: Paixão e Glória; O ano em que meus pais saíram de férias; No Balanço do Amor; Vida sobre Rodas; Super Size Me: a Dieta do Palhaço; Criança: a alma do negócio; Um Homem entre Gigantes; dentre outros. Após assistir o filme realizamos debates com os estudantes;
Levamos crônicas publicadas em jornais para as aulas, onde diferentes profissionais renomados emitem a sua opinião sobre temas que envolvem as práticas corporais e depois solicitamos que os estudantes escrevam os seus próprios textos para expressar aquilo que compreenderam;
Também temos trabalhado com análise de charges, fotos, pequenos vídeos retirados de diferentes meios de comunicação, artigos publicados na mídia alternativa, principalmente nas revistas “Carta Capital e Piauí”, artigos científicos, dentre outros recursos que podem proporcionar reflexões nos jovens sobre as diferentes formas de se movimentar.
Nota-se que essas aulas mencionadas possuem um caráter mais reflexivo, entretanto, os alunos também tem vivenciado diferentes práticas corporais nas nossas aulas. Temos realizado: coreográficas de ginástica geral abordando temas que envolvem a formação da cidadania; esportes para pessoas com diferentes tipos de deficiência, com a intenção de refletir sobre os benefícios que as práticas esportivas podem proporcionar para esses indivíduos; exercícios de musculação com materiais adaptados para que os jovens possam aprender as técnicas dos exercícios; diferentes lutas adaptadas para a realidade da escola; o convite para que professores de diferentes artes marciais venham até a escola ensinar um pouco sobre essas práticas corporais aos estudantes; criação de coreografias de danças, onde os discentes recriam essas atividades de acordo com suas experiências e repertório motor; jogos e brincadeiras de diferentes épocas e de matrizes africanas; confecção de jogos de tabuleiro sobre diversificadas manifestações da cultura corporal.
Temos como maior objetivo em nossas aulas que as atividades propostas possibilitem a formação de um pensamento crítico nos jovens estudantes sobre o máximo de questões que possam ter relação com as práticas corporais.
Acreditamos que dessa forma teremos estudantes menos ingênuos, mais combativos, com um corpo de conhecimentos suficiente para fazer escolhas na sua vida adulta com total consciência sobre os aspectos que possam envolver os temas relacionados com a Educação Física. E como acreditamos em uma sociedade democrática, respeitamos a escolha de cada um dos alunos que tivemos a honra de conviver.
Texto do professor Doutor Daniel Teixeira Maldonado.

IFSP (Redes de Computadores) – Larissa Lima
A publicação “A formação do pensamento crítico sobre as manifestações da cultura corporal de movimento” traz uma questão muito importante a ser debatida entre o público escolar.
Nos dias atuais, algumas escolas se dedicam a procurar novas formas de expressar o que é a Educação Física, mas o grande problema é que muitas outras ficam presas e limitadas aos mesmos esportes (em geral, handebol, basquetebol, voleibol e futsal), o que de certa forma transforma uma aula de interação e participação em grupo, em uma aula monótona e repetitiva, e acaba frustrando os alunos que não possuem afinidade com tais esportes.
Olá, Larissa
Realmente, a Educação Física Escolar vem discutindo e mobilizando pessoas em torno da necessidade de sua transformação e encaminhamentos. Quanto mais discutimos mais caminhamos na direção da ampliação das possibilidades de ofertas aos alunos, em todos os níveis de ensino. Parabéns!!!
IFSP (Redes de Computadores) – Giovanna Mendes
Essa publicação nos traz muitas reflexões sobre tema. Mas oque me chamou muita atenção foi saber que ainda temos professores interessados em projetos que abordam praticas esportivas, não são muito mencionadas nas instituições de ensino. Pois, como foi tratado no comentário a cima, a maioria das escola se limitam á alguns esportes, não possibilitando aos alunos saber, conhecer e praticar diversas atividades. Muitos deles poderiam achar tal expressão corporal algo maravilhoso, e quem sabe, seguir carreira, mas por não ter conhecimento sobre, perdem a oportunidade.
Outro assunto, que merece muita atenção nas escolas, é o grande preconceito da sociedade com algumas praticas esportivas. Onde um garoto é fortemente julgado pelo fato de gostar de dança, ou então, uma garota é chamada de “moleque” pelo simples fato de andar de skate ou lutar judô. Seria muito interessante se as escolas tratassem com maior interesse um assunto que está muito presente na vida dos alunos.
Perfeito!!!!
IFSP ( Redes de Computadores)- Giovanna Mendes
Ao analisar essa publicação é possivel discutir sobre o preconceito da sociedade em relação á algumas práticas esportivas. Como foi citado no comentário a cima, as escolas, em sua maioria, estão prezas aos mesmos esportes( Futebol, vólei, basquete e handebol), e em consequência disso, acabam privando os alunos de conhecerem outras praticas esportivas. O que se torna algo ruim para os alunos. Talvez eles gostassem de tal atividade, e quem sabe até seguir carreira. Mas pelo fato de não tomarem conhecimento, acabam se limitando aos mesmos esporte de sempre.
E quando conhecem algo diferente, são julgados pela sociedade, as vezes os próprios pais não apoiam, oque acaba frustrando o desejo da criança. Então surgem algumas perguntas:Porque uma garota não pode lutar judô? Ou andar de skate? Porque um garoto não pode gostar de ballet? São perguntas que não combinam com o século XXI. Estamos numa época de transformações e aceitações. Seria muito interessante, se as escolas discutissem mais sobre os assuntos, e preparassem essa nova geração para lidar com essas barreiras.
Olá, Giovanna
De fato, vivemos um tempo de respeito, valorização e aceitação do outro. Não cabem mais, e esperamos que esta realidade seja modificada, a reprodução dos modelos que aponta.
Parabéns!!!
Daniel
IFSPL
Olá Professor!
Vim de uma escola que, nas aulas de Educação Física, não se preocupava em passar para os alunos conteúdos distintos, que pudessem manifestar pensamentos críticos e provocar reflexões sobre variados temas e sobre as diferentes formas de se movimentar e exercitar. Eram aulas maçudas e cansativas, sempre com os mesmos quatro esportes que também eram aplicados em muitas outras escolas: Basquete, Vôlei, Futebol e Handebol. E, muito além disso, estava sempre presente o fato de os garotos terem o maior tempo de jogo. Se um desses meninos apresentasse um comportamento mais “feminino”, era automaticamente colocado para escanteio e só aqueles que se auto consideravam bons e eram mais apoiados pelo professor, jogavam.
Quando uma escola ou colégio e seus docentes de Educação Física se empenham em passar um conteúdo para seus alunos que aborda diferentes temas, como a cultura de diferentes povos; a reflexão e a proposta para soluções sobre temas que são polêmicos na sociedade – como homofobia, machismo e racismo, por exemplo – e inseri-los no componente curricular; a proposta de uma aula que não tenha mais só determinados esportes, mas sim uma variedade de opções de como fazer o aluno se movimentar e se exercitar de maneira divertida e cheia de aprendizagem, torna o ensino muito mais prazeroso tanto para o aluno quanto para o professor.
O importante é ressaltar, também, que o respeito, a igualdade e a cidadania dentro da escola e das aulas, seja qual for, sejam aplicados. O que deve acontecer é parar com essas opiniões formadas que temos de que determinada atividade, ou qualquer outra coisa, seja exclusiva de meninos ou de meninas. Todos somos iguais na essência, humanos, apenas diferimos uns dos outros em sexo, etnia, cor e religião. Somos capazes de fazer o que bem quisermos, da maneira que desejarmos, sem que haja julgamentos, o que hoje ainda tanto se vê.
Olá, Manuella
A educação física tem buscado este significado. Há mudanças positivas em andamento. Você e seus colegas podem contribuir de forma a superarmos as mazelas que foram presentes na educação Brasileira. Parabéns!!!
IFSP (Redes de Computadores) – Ester Trindade
O tema abordado traz muitas reflexões sobre as diferentes atividades e formas de expressar o que é Educação Física e como elas não são atribuídas no ambiente escolar. Muitos professores de Educação Física, da maioria das escolas, não se preocupam em despertar nos alunos pensamentos críticos e reflexivos sobre determinadas práticas corporais que não são aplicadas nas quadras, impossibilitando os alunos de conhecê-las, pois eles se limitam a passar apenas exercícios físicos que englobam o Handebol, Vôlei, Basquete e Futebol, tornando as aulas monótonas e, muitas vezes, desinteressantes para aqueles alunos que não se identificam com o esporte.
Olá, Ester
Sempre haverá a possibilidade de transgredirmos, superar e avançar. Basta estarmos dispostos a pensar, analisar e inovar.
Olá! estou feliz por achar seus artigos, quanta informações legais, que bom que está compartilhando, parabens.